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Alecrim - Rosmarinus Officinalis

Atualizado: Jun 28

Rosmarinus officinalis é o nome científico do Alecrim, e também possui vários nomes populares como, alecrim-de-jardim; alecrim; rosmarino; alecrinzeiro; alecrim-de-cheiro; alecrim-de- horta; erva- coada; flor-do-olimpo; rosa-marinha e rosmarinho.


Esta incrível planta é morfologicamente caracterizada por ser lenhosa, ereta, pouco ramificada de altura média de até dois metros, com folhas lineares, coriáceas e muito aromática. As flores azuladas-claras, pequenas e de aroma forte e muito agradável.


O alecrim é datado na História como planta sagrada pelos povos egípcios, romanos e gregos, que a utilizavam para purificação de túmulos, casas de doentes, e celebrações matrimoniais como símbolo de fidelidade. Para a tradição europeia, o alecrim traz paz para os vivos e mortos, além de temperar de forma refrescante carnes para o consumo. Mostrando sua versatilidade na civilização.


As folhas e flores são utilizadas para a produção de óleos essenciais. São originadas do litoral de países em volta do Mar Mediterrâneo (Espanha, Itália, Grécia, Norte da África e na Dalmácia, uma região comum à Hungria e à Áustria), e eventualmente, em outras regiões até 1.500 metros de altitude como no centro e no sul de Portugal, Ilhas Canárias, Ilha dos Açores e da Madeira. Também cresce nativa em regiões da Turquia, Líbano e Egito, de terreno rochoso e arenoso. Seu clima é temperado (verões moderados e os invernos frios e seco) e de dias longos.


A sua ligação ao mar é bastante intensa, até no seu nome, Rosmarinus, está ligado ao seu habitat: ros marinus - rócio do mar, (orvalho do mar).


Um detalhe chama a atenção para essa planta, quanto ao solo. Ela é mais aromática quando ela é desenvolvida em solo pobre de nutrientes e com alto grau de salinidade (são naturais do litoral) ela produz mais metabólitos secundários para compensar a carência do solo.


Quanto a sua cultura, produção e colheita, a planta chega a sua maturidade com dois ou três anos de plantio, é colhida geralmente no verão (por ter mais teor de óleo essencial), no período antes ou logo no início da floração intensa, na parte da manhã entre as seis e dez da manhã.


Interessante que na colheita a planta não é totalmente removida, apenas a metade dos ramos com folhas, dessa maneira o alecrim consegue sozinho recuperar-se. Outra observação é que quando plantando em locais com muitas intempéries (geadas, frios intensos) e são danificadas, quase sempre elas rebrotam, sem a ação do homem.


A armazenagem necessita de recipientes herméticos, evitando que as folhas percam o bom aroma, destilando em alta capacidade vegetal.


Este alecrim que estamos falando é da família botânica LAMIACEAE, que também fazem parte a Lavanda, Hortelã, Sálvia, Tomilho e Orégano.


Junto com as maravilhas do Alecrim, tem também os quimiotipos ou raças químicas, que são variações genéticas, geográficas, de cultivo e colheita que afetam nos produtos feitos pelo metabolismo secundário, deixando uma substância aromática com maior evidência.


O que se sabe é que atualmente são sete quimiotipos de Alecrim da espécie Rosmarinus officinalis, são eles:

🌿O Qt1 (lê-se quimiotipo um) o Alecrim Cânfora, normalmente vindo da Espanha e que apresenta alto teor de cânfora, um estimulante mental.


🌿O Qt2, produzido na França, Inglaterra e Índia com maior teor de 1.8-cineol ou eucaliptol, denominado de Alecrim Cineol; poderoso expectorante e descongestionante.


🌿O Qt3, extraído na França cujo ativo majoritário é a verbenona, o alecrim Verbenona, atua em problemas hepáticos e de vesícula.


🌿Qt4 Borneol, Qt 5 Pineno, Qt 6 Miceno, Qt 7 Acetato de Borneol, são os raros de serem encontrados.


Outras plantas são também chamadas de alecrim, no entanto, não são dessa espécie, como o Alecrim do Cerrado (Baccharis dracunculifolia), brasileiríssima, chamada popularmente também de Alecrim do Campo ou Vassorinha, o Alecrim Selvagem (Eriocephalus racemosus), bem aromática e resistente a seca, e o alecrim pimenta (Lippia sidoides), além de brasileira, é também nordestina.


VAMOS CONHECER CADA UM DESSES QUIMIOTIPOS DOS ALECRINS - ROSMARINUS OFFICINALIS.


ALECRIM qt CINEOL Rosmarinus officinalis var. Cineoliferun


O Alecrim qt Cineol, especificamente é portador de muitas moléculas aromáticas expressivas, uma delas é o 1,8 cineol. Há outras plantas (louro, eucalipto e melaleuca) que produzem essa molécula também em maior concentração, e ela serve para as funções de defesa e polinização: é tóxica para insetos e herbívoros e atraente para outros que a ajudam a disseminar sua espécie.


Biologicamente o 1,8 cineol penetra no organismo defendendo-o e reequilibrando a homeostase (saúde), pois ativa o sistema imunológico.


Ele tem sido muito estudado pela medicina tropical (doenças que só existem entre os trópicos de Câncer e Capricórnio), pois mata o pernilongo que causa a Leishmaniose, impede o Aeds aegypti (vetor que transmite a Dengue, Zika, Chikungunya e febre Amarela) de colocar seus ovos e inibem o crescimento e o desenvolvimento do Plasmodium falciparum, o parasita da malária.


Além de reprimir a barata doméstica (Periplaneta americana), sim aquela que deixa tudo fedendo por onde passa e que faz a gente sair correndo de pavor😱.


A nível sistêmico humano, o Alecrim qt Cineol, possui os três ANTI’s prioritários. ANTIbacteriano, ANTIfúngico e ANTIviral. Mostrando que ele é bem completo na proteção do organismo contra os invasores mais comuns do nosso corpo.


E a melhor informação de todas, o 1, 8 Cineol penetra nas células inibindo algumas substâncias (interleucina IL-1β) e ativando o metabolismo de outras (ácido araquidônico) para formar o fator de necrose tumoral TNF-α, IL-1β, tromboxano B2 e leucotrieno LTB4.


Traduzindo, o Cineol encontrado em várias plantas e também no Alecrim, encontra a célula tumoral, a identifica sua funcionabilidade no organismo, como também ajuda na produção do ácido araquidônico que vai originar em fatores de apoptose celular (morte programada da célula). Nesse caso ele sinaliza para célula tumoral que ela tem que morrer, impedindo sua duplicação para a formação de um tumor ou aumento dele. E talvez uma metástase (implantação de um foco tumoral à distância do tumor original, decorrente da disseminação do câncer para outros órgãos).

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ALECRIM qt CÂNFORA Rosmarinus officinalis var. Canforiferum


Este a molécula cetogênica Cânfora do Alecrim existe também numa série de fármacos já produzidos, na forma de pomadas para relaxamento muscular, queimaduras de sol, brotoejas, inflamações articulares, entre outros.


Acredita-se que a famosa “Água da Rainha da Hungria”, tenha sido feita através desse tipo de Alecrim, pois a Rainha Isabel era septuagenária e estava debilitada por fortes dores articulares, que foram extintas após o uso desta Água, e que até hoje é comercializada.


A Cânfora tem um cheiro forte e penetrante, gosto amargo e é ligeiramente fria ao tato. Esta frieza provém da sensação de refrescância que a cânfora promove.


Sistematicamente, o Alecrim qt Cânfora, promove um reflexo ativo de estimulação circulatória e respiratória. Esse fenômeno de estimular o corpo atinge o sistema nervoso de modo significativo, permitindo mais objetividade e concentração.


Esta molécula tem se revelado como um excelente excitante em casos de parada cardíaca causada por doenças ou resultantes de febres infecciosas, tais como tifóide e pneumonia.


O uso da cânfora não é indicado para grávidas, porque ela é transplacentária podendo causar alguma desregulação para o feto, e ainda o risco de aborto.


Analisando os dados cromatográficos do Alecrim qt Cânfora, disponíveis na Enciclopédia do Robert Tisserrand, conclui-se que o 1,8 cineol também aparece numa concentração quase idêntica à cânfora nesta etiquetagem do óleo de alecrim.

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ALECRIM qt VERBENONA Rosmarinus officinalis var. Verbenoliferum


A planta tem esse desenvolvimento bioquímico na região de Córsega e Sul da África, onde seu cultivo é apresentado de forma selvagem.


Estudos desde década de 80 apontam que as plantas da área de Córsega apresentavam cerca de 29% a 37% verbenona.


Nas plantas, essa biomolécula é considerada um feromônio de ocorrência natural gerada por besouros a partir de um precursor de resina de árvore, a α-pineno.


Uma característica diferente dos demais alecrins, é que o Alecrim qt Verbenona, é também acaricida, ou seja, ajuda no combate aos ácaros. Mais um aliado para a higienização da casa principalmente nos travesseiros e colchões onde esses “bichinhos” concentram-se ainda mais.


Estudos tem mostrado que esse quimiotipo, reduz as mortes das células neurais do hipocampo. Vale salientar que as células do nosso sistema nervoso quando morrem, não são substituídas, causando a longo prazo perdas na capacidade neural.


Outra informação penitente é que o bioativo verbenona (VRB) é antinocicepção, traduzindo, ele reduz a capacidade de perceber a dor sendo importante componente para o organismo, quando está envolvido em situações de emergência.


É um quimiotipo seguro para usar com bebês, crianças, grávidas, lactantes e pacientes neurologicamente afetados.

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ALECRIM qt BORNEOL Rosmarinus officinalis borneliferum


O quimiotipo Borneol é produzido no sudeste asiático, especificamente em Bornéu na Indonésia, por isso seu nome Borneol.


Na medicina tradicional chinesa a palavra borneol também significa um composto de ervas que possui essa substância. É usado em vários processos químicos como catalisador ou para produzir outras substâncias.

As características da molécula borneol puro são: cristalino, esbranquiçado formando pequenos cristais irregulares, seu nome chinês é derivado das palavras “gelo” e “fatia”. Agora vocês entendem a foto, não é?


O borneol tem sido estudado para auxiliar os odontólogos quanto as suas propriedades farmacológicas e importância terapêutica. Ainda estão na fase inicial, mas já se sabe que o borneol auxilia como bactericida, analgesia, antineoplásico (destrói células cancerígenas e impede a disseminação de tumores).


Tem se observado em pacientes que utilizam de forma crônica a morfina, que o bioativo borneol reduz o dano ao DNA feito pelo sedativo nas áreas mesolímbicas, protegendo as células. Além de ser efetiva em pessoas antiadictivas (que possuem algum tipo de vício).


Como um Álcool Terpênico, é antimicrobiano, antivirótico e antifúngico.


O óleo essencial de Alecrim qt Borneol não é achado no mercado de Aromaterapia, é raríssimo.


Em sua composição bioquímica, encontramos também o acetato de borneol, um éster terpênico. Eu só encontrei informações sobre esses dois quimitipos no Essential Oil Safety, do Tisserrand.

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ALECRIM qt PINENO Rosmarinus officinalis var. pineliferum


O pineno, mais precisamente o α-pineno (lê-se ALFA pineno) é muito presente na resina das coníferas (gimnospermas), típico dos pinheiros (por isso o nome) e dos alecrins.


Possui o aroma característico das duas plantas, além do amadeirado encontrado no eucalipto, manjericão e sálvia.


Para a obtenção desse composto, se utilizam folhas, frutas, sementes e caules.


Na medicina, tem se evidenciado no auxílio aos distúrbio intestinais, com propriedades miorelaxante (músculos) do tecido duodenal (porção inicial do intestino delgado), e que tratam queixas respiratórias, como a asma na função de broncodilatador poderoso. Também eficaz na bronquite infecciosa viral.


Esse quimiotipo se distingue dos demais por estar presente em diversas espécies de plantas cannabis, formando compostos como o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), ambos indicados no tratamento de esclerose múltipla em adultos.


E tem se mostrado um importante componente antimicrobiano específico, contra o Streptococcus mutans, agente causador da cárie e outros problemas bucais, e Escherichia coli, que pode causar gastroenterites, uretrites, prostatite, pneumonia entre outras infecções.


É mais um quimiotipo encontrado no Alecrim mas raramente comercializado.

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ALECRIM qt MIRCENO Rosmarinus officinalis var. Mirceno


O último quimitipo de alecrim, da planta Rosmarinus, é o Mirceno.


Seu bioativo, também encontra-se presente na cannabis (o óleo da maconha mesmo), Ylangue-Ylangue, cardamomo e lúpulo.


Ele puro, tem característica de um líquido oleoso, de cor amarelada, odor agradável típicos dos terpenos, contribui para o amargo das cervejas (lúpulo).

É participante celular na síntese de vitamina A e E, e seu principal detalhe é que ele age na biotransformação de drogas. Traduzindo, ele age no corpo, quebrando substâncias tóxicas absorvidas em outras de menor toxicidade e em geral solúveis em água.


Vamos exemplificar: pessoas que estão em tratamento de alguns cânceres como o de mama, leucemias, ovários, pulmão e doença autoimunes com progressão avançada, tomam um fármaco quimioterápico chamada ciclofosfamida que em combinação com outras drogas realizam o tratamento quimioterápico. A molécula de mirceno, age diminuindo a toxicidade dessa droga ao longo de todo o corpo. Uma vez que a quimioterapia atinge toda a extensão celular do indivíduo.


Atua como biotransformador também, em barbitúricos, antes usados em sedação do sistema nervoso central (SNC), tem sido abandonado o seu uso por conta da alta dependência e o risco de efeitos secundários.


Estes são os Alecrins que encontramos da espécie Rosmarinus officinalis.


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